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Primeira das estações: Mangueira, 85 anos

Desce o morro, aquece o asfalto, colore a avenida.

Irradia, emociona, contagia.

É força, é raça, vibração, sangue do povo, grito da galera, arte verde-e-rosa que transborda poesia, efervesce encanto e paixão sem igual.

Quem conhece, ao ouvir de longe a potência de seu surdo único a estrondar no carnaval, sabe de quem estou falando. É ela...derradeira...pioneira...altaneira...brasileira...Estação Primeira de Mangueira!

Altar dos poetas do samba, berço de Cartola, Nélson Cavaquinho, do Sargento Nélson do Samba, do vozeirão imortal do negro rei Jamelão.

Mangueira de Sinhá Olímpia, de Chiquinha Gonzaga, de Dom Obá dos Esfarrapados, de Chico, de Drummond, de Braguinha...Yes, nós temos 85 anos de Mangueira!

Mangueira é uma das escolas de samba que melhor traduzem esse inexplicável sentimento passional que enche de lágrimas os olhos e de esperança os corações de seus integrantes. Este ano, durante meu trabalho de cobertura nos desfiles, estava achando tudo muito dentro dos conformes - não obstante alguns arroubos de criatividade e riqueza estética de algumas escolas.

Veio Mangueira.

Nem achei que estivesse bem cuidada. Plasticamente parecia muito irregular. Mas eis que, no meio de seu desfile ( e nem associei isso, de imediato, ao belo trabalho de mestre Aílton com suas duas baterias, necessariamente), alguma coisa aconteceu. Fui tomado de súbito por uma energia solta, por uma torrente de emoção...o samba incendiou-me os sentidos, abreviou-me o juízo crítico...esqueci que era cronista, colunista, analista...o samba de Mangueira estava me chamando.

Olhei para trás e havia um monte de pessoas arrepiadas com a mesma pulsação. O refrão mencionava um "trem da emoção" que parecia ter descarrilado em encanto e arrastado a plateia samba abaixo, samba adentro, samba afora! Olhei para o chão de escola e vi a fulgurante imagem do genial passista Celynho Show, um desses artistas genuínos do samba, esteta de sua arte. Celynho era a representação clara da euforia e do fascínio de ser Mangueira. Vibrante, apaixonado. Razão de ser admirado e elogiado por uma geração inteira de novos passistas...ele é tão raiz e tão Mangueira que, me fez entender tudo ali!

Eu - que não sou Mangueira mas em tudo a respeito e admiro, sem jamais ter negado seu fascínio -assisti à sua passagem com a convicção de ter sido, de modo único e particular, arrebatado pelo verde-e-rosa no desfile 2013!

Mangueira é assim: não precisa ser favorita, nem a melhor plasticamente...nem precisa ser campeã pra ganhar de todos nós! Única e fascinante: Mangueira!!! Em 85 anos, só felicidade!

Não tenho como, numa crônica como esta, esquecer a menção a José Carlos Netto. Esse gênio controverso, de palavras curtas e coração longo, gentilezas incontidas e verborragia sensacional, ensinou-me um pouco de tudo isso que é Mangueira em pouco tempo de idas e vindas, encontros e eventos, situações de convívio que em mim se tornaram marcantes. Ele foi, no Olimpo Verde-e-Rosa, um desses deuses resplandecentes que nos ensinam com olhar, com testemunho de vida. Lembro-me dele, ano passado, passando pela avenida no carro dos baluartes da escola, com o olhar pitoresco, acenando para o povo. No meio daquele mundo de gente, suas vistas já cansadas mas muito vigorosas encontraram, no chão do sambódromo, a minha presença. Ao reconhecer-me, acenou e sorriu.

Foi pra mim um presente e um aceno da própria Mangueira.

Naquele dia - assim posso bem dizer - a Estação Primeira quis sorrir pra mim!

Salve, salve, salve, salve!

Do morro dos bambas..da emoção de ser escola de samba...parabéns, Mangueira!

Primavera, Verão, Outono, Inverno.

Dentre as Estações...sempre serás a Primeira!


Hélio Ricardo Rainho
(Publicado originalmente no site SRZD)
Carioca, publicitário, MBA em Marketing, ator, diretor teatral, escritor, pesquisador de escolas de samba, futebol e teatro.
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