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Ser mangueirense

Ser mangueirense não é torcer por uma escola de samba. Quando se é Mangueira, o samba corre nas veias, e os pés por mais calejados que possam ser, sempre encontram conforto no rufar de um tambor.

Ser mangueirense é entender que a poesia é muito mais que palavras escritas, é perceber sua plenitude, mesmo que mal saiba assinar o próprio nome. É tingir cada passo que sobe e desce ladeiras, com a alegria do verde e rosa que , dizem os incautos, são cores que não combinam bem. É chorar... Chorar de tristeza, chorar de alegria, chorar de emoção, chorar através de um pandeiro e de um tamborim. É chorar pelo simples fato de ser Mangueira.

Ser mangueirense é nunca estar satisfeito. É o descontentamento constante, que somente se dissipa nas cinzas da quarta-feira. É viver sempre no alto, a contemplar o sol que não para de sorrir, nem de fazer o suor escorrer pelo rosto cansado das idas e vindas por entre os becos e vielas.

Ser mangueirense é ser um guerreiro, é lutar dia após dia pedindo ao mundo um pouco de paz, é desarmar-se dos preconceitos e assumir sua própria identidade. É não ter cor na pele, aliás, ser mangueirense é não ter pele: é ter couro! Saber transformar cada batida que leva num sonoro grito de alegria. É ser pedra bruta e ainda assim reluzir feito diamante.

Ser Mangueira é ter braços, pernas, coração, é enfrentar cada dia como quem doma um leão. É reconhecer-se nos mais simples versos , e ter a certeza que eles durarão por toda uma eternidade. É pisar no asfalto com a mesma sutileza que se pisa na lama, e entender que todo mundo te conhece ao longe, porque a Mangueira é tudo do pouco que resta, é um pouco de tudo aquilo que presta e do que não presta e não há uma só pessoa no meio da multidão que não se reconheça nas cores que traz na bandeira.

Ser mangueirense é atravessar a avenida, é atravessar o tempo, é começar pelo fim, é virar-se do avesso. É fazer o caminho contrário, é contradizer a procissão, rezar todos os dias e pedir que todo seu pranto nunca tenha sido em vão, mesmo que seu canto de oração desapareça no horizonte, junto com o último vagão. Ser mangueirense é enfeitar-se de fita, entrelaçar-se com outros e então soltar o nó da garganta, desatando na explosão do grito de campeão.

Ser mangueirense é querer a vitória até o último momento, e no final não se importar com a posição, porque ser Mangueirense, é saber que se é, que se foi, e que sempre será a Mangueira, de todas, a primeira!


Sandro Batista
(Publicado originalmente no blog Estação Primeira do Samba)
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