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Mundo de zinco

Com todo respeito às mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro como Portela, Império Serrano e Salgueiro que marcaram a fase do pioneirismo dos desfiles de rua, nenhuma delas foi tão cantada em clássicos da música popular brasileira como a Mangueira.covas_junior_001 Isso prova que, sem dúvida, por uma questão de tradição de mais de 90 anos, a Mangueira é a preferida do carioca. Nos grandes tempos do rádio, foi cantada e glorificada em prosa e versos no ritmo forte da bateria identificada pela única pancada dos surdos de primeira, batida que até hoje é a marca da Verde e Rosa. Foram vários os cantores que enalteceram a agremiação no correr dos anos. Me lembro de cabeça, de alguns desses sambas monumentais. Em 1937, por exemplo, Orlando Silva gravou Meo Romance:

Embaixo daquela jaqueira
Que fica lá no alto majestosa
De onde se avista a turma da Mangueira
Quando se engalana com suas pastoras formosas, etc…

Francisco Alves, o eterno Rei da Voz, também não deixou por menos e, em 1946 gravou Despedida de Mangueira:

Em Mangueira na hora da minha despedida
Todo Mundo chorou, todo mundo chorou
Foi prá mim a maior emoção da minha vida
Porque em Mangueira o meu coração ficou…

O samba Fala Mangueira , de Carlos Cachaça - um dos fundadores da escola – chegou às paradas na voz do Jamelão, o mais famoso “puxador de samba” de todos os tempos, hoje identificados como ”intérpretes” por imposição da Globo:

Fala Mangueira, fala
Mostra a força da sua tradição,
Com licença da Portela, favela,
Mangueira mora no meu coração…

Uma noite, encontrei o Pedro Caetano na Record. Já idoso, ele havia participado de uma gravação do programa da Hebe Camargo. Puxei conversa e perguntei qual o motivo que o levou a compor Onde Estão os Tamborins, outro samba de exaltação à Mangueira e que foi gravado pelos ”Quatros Ases e Um Coringa. Pedro contou que trabalhava no centro do Rio e tomava o trem do subúrbio de volta prá casa todas as noites. O trem, como acontece até hoje, parte da Central do Brasil e a primeira estação fica no pé do Morro da Mangueira, perto do Maracanã, daí o nome Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Uma noite, Pedro Caetano, memorável compositor, passou ali e não ouviu a percussão dos sambistas. Tirou a caneta do bolso e foi escrevendo a letra. Quando chegou em casa, pegou o violão e nasceu o samba…

Mangueira,
Onde é que estão os tamborins, ó nega?
Viver somente do cartaz não chega
Põe as pastoras na avenida,
Mangueira querida…

Mas, de todos os sambas gravados que cantaram a fenomenal escola, o melhor foi, sem dúvida, Mundo de Zinco, composto pelo genial Wilson Batista e gravado por Jorge Goulart em 1949.

Aquele Mundo de zinco que é Mangueira
Desperta com o apito do trem
Uma cabrocha, uma esteira
Um barracão de madeira
Qualquer malandro em Mangueira tem

Mangueira fica pertinho do céu
Mangueira vai assistir o meu fim
Mas deixo o nome na história
O samba foi minha glória
E sei que muita cabrocha vai chorar por mim


Covas Júnior
Covas Júnior é radialista oriundo de Batatais-SP, tendo inicado sua carreira em 1961.
(Publicado originalmente no site do jornal A Notícia)
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