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Outros Carnavais

A Verde e Rosa tem o costume de enaltecer os meus ídolos. Já vibrei de Braguinha a Chico. Este ano é Bethânia.

Carnaval chegando, começo a me preparar (e a preparar a geladeira) para mais uma vez me sentar diante da televisão e torcer pela Mangueira. A Verde e Rosa tem o costume de enaltecer os meus ídolos. Noutros carnavais, vibrei com homenagens a Braguinha, a Drummond, a Chico Buarque e tantos outros. Este ano é Bethânia, cantora, cidadã e mulher brasileira de alto relevo.

Lembro bem do Carnaval em que cantamos o Chico, em 1998. A caminho do desfile, parei em botequim do Estácio onde grupo animadíssimo batucava e entoava versos que diziam assim: “Página infeliz da nossa História/Passagem desbotada da memória”. Molequinho de uns 11 ou 12 anos, na calçada do bar, repetia a letra, tintim por tintim.

– Sabe de quem é esse samba? – perguntei a ele.
– Claro. Chico Buarque – respondeu.
– Gosta do Chico?
– Claro. Ele é maneiro.

No Carnaval ou fora dele, Chico é o Chico, sempre maneiro. Há um bom meio século. Desde o Pedro Pedreiro que esperava o trem que não vinha, em certo 1964 cujos trens traziam o que havia de pior, que nos emocionava com o domínio mais puro e perfeito da poesia que até parecia perdida. Não tínhamos voz nem talento para o enfrentamento; Chico tinha. Estávamos todos ali, com ele, também repetindo que o pior ia passar e que amanhã seria outro dia. E parece que Chico nos ouvia, pois a cada dia compunha mais, nos representava mais e melhor, nos enchia de brios e de esperanças.

Chico Buarque de Hollanda, o menino da ‘Maninha’, passou dos 70 anos, cultivando o sorriso que é quase grife – não se vê uma sombra de ódio nem de revanchismo em seu olhar – e o talento que impressiona a cada investida artística. Salve ele.

Epa, peraí. O assunto não é Chico. É Carnaval, Mangueira, Bethânia. Então encerro com os versos que um dia fiz para essa minha conterrânea, que jamais publiquei e que ninguém sabe que existem: “Abelhas vivem nos ares, sereias no fundo dos mares, iaras no meio dos rios / Rainhas só moram em sonhos e gueixas nos desvarios / Marias são as que encantam, nos palácios, nos desvios”. Viva a folia. E a poesia.


Luis Pimentel
Luis Pimentel é jornalista e escritor
(Publicado originalmente no site do jornal O Dia)
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