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Jurandir
(Jurandir Pereira da Silva)
11/06/1939 - 25/04/2007

Compositor. Cantor.

Inspirado compositor, dono de uma voz suave e um sorriso franco, Jurandir nasceu em Campos dos Goitacazes, no norte do Estado do Rio de Janeiro. Aos cinco anos de idade, se mudou para a Candelária. Exerceu várias profissões, como sapateiro e caldeireiro na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Ingressou na ala de compositores da Estação Primeira em 1959. No início, fazia apenas sambas de terreiro. A pedido de Cartola, passou a compor também sambas enredo. Ganhou 12 vezes o concurso de samba enredo na Mangueira, com diversos parceiros (o mais constante deles era Hélio Turco, com quem venceu nove carnavais).

Seu primeiro samba enredo cantado na avenida foi “Exaltação a Villa-Lobos”, em 1966. No ano seguinte, apresentou “Mundo encantado de Monteiro Lobato”, obra que Jamelão considerava, particularmente, o samba mais bonito da história da Mangueira e sempre presença garantida no repertório do mestre. Também foi de autoria de Jurandir o samba que deu o supercampeonato à verde e rosa, em 1984, ano da inauguração do sambódromo. Naquela ocasião, a Mangueira encerrou o segundo dia de desfile percorrendo a passarela e, ao chegar na Praça da Apoteose, deu a volta e fez o caminho inverso, para delírio de quem ainda permanecia nas arquibancadas.

Também morou na Favela do Esqueleto e em Vila Kenedy, desde a fundação do bairro, em 1969.

Na época em que o disco oficial dos sambas enredo saía pela gravadora Top Tape, Jurandir sempre gravava os sambas de sua autoria, já que o titularíssimo Jamelão, por motivos contratuais, era impedido de colocar sua voz. Em 1985, Jurandir substituiu Jamelão na Marquês de Sapucaí. Em plena véspera do desfile da Manga, o sr José Bispo tinha marcado um show fora da cidade do Rio de Janeiro. No entanto, um atraso no vôo fez com que o mestre dos intérpretes não chegasse a tempo de desfilar. Mas o carro de som da verde e rosa estava em boas mãos e na voz serena de Jurandir. No entanto, a escola apresentou dificuldades no desfile e chegou na 9ª posição.

Em 1988, através de Jurandir, Helio Turco e Alvinho (que depois viria a ser presidente da escola), a Mangueira apresenta aquele que é considerado um dos melhores sambas enredos de todos os tempos. Com os versos “pergunte ao criador, pergunte ao criador/ quem criou esta aquarela/ livre do açoite da senzala/ preso na miséria da favela”, a Estação Primeira questionou o centenário da assinatura da Lei Áurea, no samba “100 anos de liberdade, realidade ou ilusão”. Dois anos depois, com o belíssimo “E deu a louca no barroco” o mesmo trio deu o primeiro Estandarte de Ouro em samba-enredo à Mangueira.

Jurandir compôs ainda muitos sambas de terreiro. Entre outros, “Minha companheira”, gravado por ele no CD duplo, produzido por Hermínio Bello de Carvalho, “Mangueira, sambas de terreiro e outros sambas". Considerado uma das mais belas vozes do samba, participou, ao lado de outros grandes sambistas contemporâneos, do CD “Meninos do Rio” (Carioca Discos) e gravou, em 2005, num projeto patrocinado pela Petrobras, seu único CD solo. Em 2006, Jurandir teve um sério problema cardíaco que o levou à mesa de cirurgia. Logo em seguida, foi finalmente eleito Baluarte da Mangueira por seus serviços prestados à escola. Em 2007, dois meses antes de falecer, desfilou pela primeira e última vez ostentando tal distinção, no emblemático carro que Beth Carvalho foi impedida de desfilar.

Faleceu em decorrência de problemas cardíacos, sendo sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.


DISCOGRAFIA

(1998) Chico Buarque de Mangueira • BMG • CD
(1999) Velha-guarda da Mangueira e convidados • Nikita Music • CD
(2000) Mangueira - sambas de terreiro e outros sambas • Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro • CD
(2001) Meninos do Rio • Carioca Discos • CD
(2005) Jurandir da Mangueira • Selo Candongueiro • CD

FONTES: Dicionário Cravo Albim da música popular brasileira
http://www.dicionariompb.com.br/jurandir-da-mangueira
Sambario
http://www.sambariocarnaval.com/frames/index.php?sambando=jurandir
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